Os animais são lindos e as pessoas são feias. Cheiram mal e escondem-se atrás de odores que não os seus.
Não gosto sequer de ser uma pessoa.
Queria ser um bicho e consolar-me na corrente que me prende na presilha do abismo da braguilha por fechar a pingar a pingar.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
13

Corre até te fartares
Foge até te encontrares.
Nunca mais, dizes tu sem palavras nem além.
Continua a correr
Continua a fugir de ninguém.
Tens por perto o que te aproxima
mas deixaste fugir a lascívia
que perdeste lá em cima.
Cai e deixa-te adormecer
porque se acordas podes morrer.
Odeia o que te completa
Pois não podes completar o amor que te envaidece.
O amor é egoísta porque fica para lá da vista que não vê nem sabe porquê
Foge, foge antes que me apanhes a correr para todo o lado que não há.
Come a carne dos ossos que roeste,
Putrefactos os factos que decifram a voz que escreveste.
Amor, odor, odor, amor, odor, amor sem odor não ama sem amar o fedor do amor.
Quero sentir sem saber o que sinto sem querer,
Quero não ser para não ter que ler para escrever sem compreender a razão do haver.
Tédio, tédio
Não encontro remédio sem consulta que me insulta no tom da vigarice.
Caralho
Foda-se
Puta que vos pariu ou está para parir
Não há para onde ir
Sufoco
Vómito misantropo
Quero não querer porque querer é não ter e poder não ser não me deixa escrever.
Corrosão, erosão, polícia e manifestação
Paraíso, esquizofrenia
Tiques, urologia.
Andar desengonçado
Magreza desconchavada.
Partiu-se mas não se vê
Desce a escada desce na vida.
Rotina contínua.
Lixo, desorganização, fumo, vício, vício, droga, escassez, ideias confusas.
Bexiga cheia
Barriga de baleia
Cerveja morna
Igreja Mormon
Deus...Discipulos
Ateísmo por capítulos
Creio que não acredito nas razões que me não fazem crer.
Crer sem querer é só crença por parecer.
Ateísmo
Revolta
Desintegração
Exclusão
Falta
Faz falta faltar
Compreensão
Falta de compreensão
o treze e o não são a minha razão
Até Cair

"Seduzido pelo rodopio
Embriagado de vertigem
Os néons ferindo como gritos
Deixo-me possuir pelo frémito da multidão
Num desejo de girar, sem parar
Até cair
Até cair
Tudo são sombras difusas
Incertezas, especulações sem sentido
Uma mulher disforme, de cara esborratada,
Insiste para que lhe apalpe os seios flácidos
Quero mais é o rodopio
A lascívia sem fim deste carrossel atroz"
Mão Morta
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Sistema

O sistema é um problema
Já dizia a madalena
que tem um enfizema
Não sei onde nem sinto pena
Nem se é grande ou se é pequena
Porque o problema está no sistema
Sistema problemático
Problema automático
Autonomia sistemática
Confusão aromática
No paladar da matemática
Rasgou a conta enigmática
Palpites e bitaites
Euros e Gigabytes
fortunas enfurecidas
Furiosa riqueza
Alimentada pela pobreza
Das putas mal paridas
domingo, 17 de agosto de 2008
"Servantes"
De nada me serve o complicado
Se está turvo ou salgado
Mal ou bem temperado.
De nada me serve se servir
o que foi ou está p'ra vir
ou nem chegou a ser lembrado.
Então sirvo para nada
Para nada servir
Sem servir nem nada
Sirvo por servir
Já que não há mais para onde ir
E está tudo cheio de nada.
Serviço...serviço
se servisse ou se visse
Cúmplice do que disse
Não seria serviço
nem servia se visse
que servias para isso.
Se está turvo ou salgado
Mal ou bem temperado.
De nada me serve se servir
o que foi ou está p'ra vir
ou nem chegou a ser lembrado.
Então sirvo para nada
Para nada servir
Sem servir nem nada
Sirvo por servir
Já que não há mais para onde ir
E está tudo cheio de nada.
Serviço...serviço
se servisse ou se visse
Cúmplice do que disse
Não seria serviço
nem servia se visse
que servias para isso.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Pensamentos disformes, sentimentos uniformes

Estilhaços de mim espalham-se por nuvens de incerteza e perdem-se.
Fazem-me perder.
Mas encontro-me. Ou tento.
Não sei.
Não quero saber.
Até quero saber.
Saber bem ou saber mal. Ou apenas querer saber viver.
Sei?
Atrapalho e espalho-me quando devia elevar a cabeça e seguir um caminho que me traga de volta.
Mas a volta. Essa volta só me leva de volta. E nunca chego á volta certa.
Rio-me da tristeza a que chegou o meu desespero.
Voltas, mais voltas e reviravoltas.
Não estou mas sinto-me só.
Vou continuar assim até que a incerteza se transforme em promessas certas.
Promessas de amor que acabam em desatino, promessas de algo que vai dar em nada.
E o nada tanto se promete a mim.
O nada tanto me seduz, tanto me atrai porque é o nada que vai viver comigo.
O nada preenche o espaço onde o tudo devia estar.
Mas o tudo esconde-se. E chama-me.
Não o quero ouvir. Nem o vou procurar.
Tenho medo. De tudo e do tudo.
Habituei-me demais ao nada. Porque nada é sempre melhor que o pior.
Ai o pior. Esse pior que quando transforma o nada em algo, me aterra.
Algo que se despeja na sarjeta de confusão da minha cabeça.
E fico-me. Deixo-me ficar.
Perco-me.
Encontro-me mas não me vejo.
Sei mas não quero saber. Até nem quero saber.
Saber do nada ou saber do tudo.
Nem quero chegar ao tudo ou nada porque aí já nada tenho e qualquer algo me vai servir de tudo.
De nada em nada chego a algo que já é qualquer coisa, mas não é tudo.
E aí o tudo me parece quase nada.
E quando o nada me chegar mais do que já agora chega, é porque já cheguei.. e é porque já estou morto!
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Porca miséria

"Escreve, escreve!" é o que tenho ouvido ultimamente. Pois eu tento, mas nada sai e o que sai torna-se miserável, pouco convidativo, desinteressante. Falta-me a paciência, as chatices que invadem o meu quotidiano, aquelas pequenas coisas que gosto de dissecar.
Encontro-me de férias e as que tenho, neste momento, aborrecem-me. O excesso de tempo livre dá cabo de mim. Para além da irritabilidade que me traz uns quantos dissabores, fico com comichões na pele. Quero ter a vontade de fazer algo verdadeiramente interessante!
"Mexe-te miúda!"... Mexo-me, na cama. Viro-me para um lado, para o outro... salto da cama para o sofá, do sofá para o chão e passo os dias nisto. Hoje reclamo pelo tempo que tenho. Amanhã irei reclamar pelo tempo que não vou ter. Não somos todos assim?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Sem Título(One Hundred Taiteless)
Dôres e côres de diversos sabores e tamanhos odores, contemplam os explendores de miseráveis louvores de vidas sem valor(es).
domingo, 3 de agosto de 2008
Insatisfação
Sensações inquietantes, desejos insaciados, dores lancinantes e insónias.
É madrugada e ouvem-se risos lá fora. O quarto está abafado, a cama desfeita e o cadáver sofre com dores e suores. Alguém pergunta porque ainda estás acordado. Respondes que não tens sono, que te sentes doente. Pedes, por favor, que te fechem a porta e executam silenciosamente o teu pedido.
O que tu sentes, nem tu sabes. Um misto de desespero e fragilidade acompanhada por dores físicas. Dói-te a perna martirizada, custa-te respirar, a cabeça pesa-te, a garganta arranha e a rigidez dos músculos faz-se sentir. O teu corpo ferve de febre e a tua mente sofre com isso. Acendes um cigarro e deitas a cabeça molhada de suor na almofada. Ouves "The Mess We're In" de Pj Harvey e fechas os olhos. As lágrimas irrompem e não sabes porquê. Os analgésicos não minimizam o sofrimento e a tua cabeça anda a mil.
Recordas situações que o tempo falsamente recalcou e imaginas que abres a tua cabeça, apagando essas memórias com uma borracha verde. Voltas e reviravoltas no colchão.
Queres aquilo que não tens, mas não sabes o que queres.
Dói-te o corpo. E a alma, dói? Que se lixe a alma, que se lixe o corpo, que se lixe a tua misera pessoa e os malditos pensamentos filosóficos existenciais.
Apaga a luz, fuma o teu último cigarro e convida o sono para dormir contigo.
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